1) Qual é a sua formação?
Sou formada em Desenho Industrial - Habilitação Programação Visual pela Universidade Federal de Santa Maria, com graduação também em Publicidade e Propaganda pela mesma Instituição, tenho especialização em Marketing pela Universidade Paulista e Mestrado em Artes Visuais pela UDESC. Também participei do Curso Children's Book Illustration no Central Saint Martin College of Art and Design - University of the Arts London na Inglaterra (2006).
Profissionalmente já atuei como designer em alguns escritórios de São Paulo, como a Usina Escritório de Desenho e B+G, desenvolvendo principalmente projetos de design de embalagem e ilustração.
Atualmente, desenvolvo estudos sobre a Ilustração de livros infantis, tema que me acompanha desde minha monografia na graduação, trabalho com professora no Departamento de Design no CEART/UDESC e me dedico também à ilustração (ou tento, pelo menos).
2) Como você descreveria sua experiência como professora e designer?
Posso dizer que todas essas experiências, como professora e designer são bastante intensas e desafiantes e considero um grande privilégio atuar em uma área em que elas aparecem interligadas.
3) Além de ilustração em livros infantis, criação de marcas e identidades visuais, que outras áreas de seu interesse você destaca?
A área na qual tenho mais experiência profissional é em Design de Embalagens (Programação Visual de Embalagens). Já no campo da pesquisa, meu interesse, ao qual tenho me dedicado há um bom tempo, é em Ilustração de Livros Infantis, compreendendo também os estudos sobre a criança, as imagens e a ilustração em todas as suas formas. É claro que existem diversas outras áreas dentro do design que considero fascinantes, porém, atualmente o maior desafio ainda é ser "professora", profissão que assumi há pouco tempo.
4) Em termos de evolução gráfica, como você vê a mudança nos referenciais usados para a construção do imaginário que é passado às crianças desde os antigos contos de fadas às produções mais contemporâneas?
Estudando sobre o assunto é possível observar que o conceito de infância sofreu grandes transformações através dos tempos; reflexo das mudanças pelas quais a sociedade passou. Em função disso, todo material que é produzido para crianças também foi se modificando, acompanhando estas transformações, bem como participando delas. Se observarmos as ilustrações de Kate Greenway e as compararmos com as ilustrações de Lauren Child (criadora das personagens Charlie e Lola) veremos uma grande diferença, não somente nos aspectos técnicos, relacionados à evolução gráfica, mas também na forma de representação da criança e interpretação da infância. Mas mesmo com todas essas transformações, com a televisão e a internet, os Contos de Fadas continuam vivos, fazendo parte dos livros de cabeceira de muitas crianças.
5) Que evolução você percebe nas técnicas de ilustração? Como o avanço tecnológico, influencia na relação texto/imagem das histórias infantis?
Hoje temos as adaptações de livros infantis para animações no cinema, para a internet com os livros digitais (Menino Maluquinho versão on-line) e os games. A computação gráfica permitiu uma série de novas possibilidades aos ilustradores, assim como o surgimento da impressão a cores há séculos atrás. Porém, a utilização de muitos recursos tecnológicos e purpurinas na capa não são garantia de sucesso em um livro infantil.
De nada adiantam as evoluções tecnológicas se não forem utilizadas com bom senso. Creio que a atração e identificação da criança com um livro depende muito mais da sensibilidade, criatividade e imaginação do escritor e do ilustrador, o que muitos já sabiam no século XVIII.
6) Que papel você dá ao ilustrador na formação de uma criança que consome os livros publicados com seus desenhos?
O ilustrador trabalha junto com o escritor na construção da história, podendo despertar o interesse da criança para a leitura e para o desenho, estimulando a sua imaginação e criatividade, entre tantos outros aspectos do seu desenvolvimento. Se irá realmente atingir a criança através de suas ilustrações, é difícil saber. Mas o que considero mais importante é que este não subestime a capacidade infantil.
7) Como foi sua experiência criando conceitos e estratégias para embalagens e para a identidade visual de marcas famosas como a Knorr e Kibon?
Prefiro dizer que participei desses projetos, pois não posso dizer que "criei os conceitos e estratégias". Projetos dessa magnitude sempre envolvem uma grande equipe, passando por designers, profissionais do marketing e pesquisa. Justamente em função disso considero que participar desses projetos foi uma experiência bastante complexa e completa dentro da área.
8) Em 2004, você participou do projeto de identidade visual da 10ª Parada GLBT de São Paulo. Você pensou em criar uma imagem que tivesse um valor de afirmação aos homossexuais sem cair no clichê ou no banal? O que você pensou ao trabalhar nesse projeto?
Esse projeto foi um tanto curioso, pois inicialmente o material de divulgação havia sido solicitado a algumas grandes agências de publicidade de São Paulo, porém, nenhum dos layouts havia sido aprovado justamente por usar de estereótipos. Minha intenção era apenas fazer algo despretensioso, que passasse o clima da parada, algo alegre e para todos, como um encontro entre amigos.
9) Atualmente você se dedica à uma pesquisa chamada "Imagens, Significados e Representações Mentais na Trajetória de Professores de Artes Visuais". Você poderia explicar um pouco pra gente o que exatamente você busca com essa linha de pesquisa?
Tenho trabalhado com a relação da criança e suas imagens, sejam elas as imagens que formamos da criança ou as que produzimos para ela.
10) Você já realizou algum trabalho artístico/cultural mais relacionado à Artes Visuais? Tem alguma pretensão nesse sentido para o futuro?
Talvez futuramente, mas pretendo mesmo me dedicar mais às ilustrações.
11) Pra encerrar, quais são seus projetos futuros ou em andamento que a gente esqueceu de abordar? Algumas considerações finais? Gostaria de adicionar algo?
Recentemente desenvolvi as ilustrações para um livro infantil da bióloga e pesquisadora Cristina Santos que deverá ser publicado brevemente. Aguardo ansiosa por isso. |